Em resumo
mTOR é uma quinase que atua como sensor central de nutrientes e energia, ativando o crescimento e a síntese de proteínas quando há abundância e freando a autofagia.
mTOR (do inglês mechanistic target of rapamycin) forma dois complexos, mTORC1 e mTORC2, que integram sinais de aminoácidos, glicose e fatores de crescimento para decidir se a célula deve crescer, se dividir e fabricar proteínas, ou priorizar a manutenção e o reparo. Quando o mTORC1 está muito ativo, ele suprime a autofagia; quando sua atividade cai, a autofagia aumenta.
O fármaco que lhe dá o nome, a rapamicina, a inibe. Em estudos com camundongos — incluindo o programa de testes de intervenção do National Institute on Aging dos EUA — a rapamicina é uma das intervenções que mais consistentemente prolonga a vida e a saúde do animal, mesmo quando administrada já em idade avançada.
Em humanos, a rapamicina e seus derivados (rapálogos como o everolimo) são usados há décadas como imunossupressores em transplantes e como fármacos oncológicos, sempre com receita e sob controle médico, dado seu efeito sobre o sistema imunológico. Um ensaio em idosos com dose baixa de um rapálogo mostrou melhor resposta à vacina da gripe, um resultado interessante sobre função imunológica, mas não uma prova de que se vive mais anos. No Brasil, qualquer uso de um inibidor de mTOR exige receita e é regulado pela ANVISA; o uso off-label para longevidade não é aprovado em nenhum país.
Vale a pena lembrar
- Sensor de nutrientes: muita atividade = crescimento; pouca atividade = reparo e autofagia
- A inibição com rapamicina é uma das intervenções mais reprodutíveis em camundongos
- No Brasil é medicamento de prescrição (ANVISA); não existe indicação de longevidade aprovada